Cheguei a casa completamente exausta e esperava uma noite tranquila, mas um pormenor dizia-me que algo estava errado.

A sala estava na penumbra habitual, mas a atmosfera parecia diferente. Não era um barulho nem algo fora do sítio num primeiro olhar—era aquela intuição sutil que faz os pelos dos braços se arrepiarem antes que a mente consiga processar o motivo.

O ar estava ligeiramente mais frio do que deveria. O silêncio, denso demais. E então, o detalhe:

A cortina da janela da varanda, que você tinha certeza absoluta de ter fechado antes de sair de manhã, estava suavemente entreaberta, balançando no ritmo de uma brisa leve.

Você congelou na entrada, com a chave ainda na mão, a exaustão do dia evaporando instantaneamente para dar lugar ao tremor da adrenalina.

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